sexta-feira, 18 de agosto de 2017

MENINOS E MENINAS: Yang-Yin (poema chinês)

Zildo Gallo


Os meninos choram
As meninas também
Chorar é da vida.

As meninas são fortes
Os meninos também são
A vida é a soma das forças.

Os meninos são frágeis
As meninas também são
A vida é delicado cristal.

As meninas se apaixonam
Os meninos também
Paixões movem as vidas.

Meninos e meninas
São iguais e diferentes
Yang e Yin
Sol e Lua
Força e delicadeza
Movimento e calma
Complementos necessários
Que se interpenetram
Almas interpenetradas
Na dança circular de toda vida.



sábado, 12 de agosto de 2017

BOROCOXÔ MA NON TROPPO

Zildo Gallo

http://www.imperioretro.com/2016/04/o-traje-do-vaqueiro-nordestino.html

Arrastando sem pressa ma non troppo
As cansadas e velhas pernas
No velho chão bem conhecido e poeirento
Respirando devagar o ar seco e sem brisa
Assim vai o velho sertanejo borocoxô
Borocoxô ma non troppo
Cabeça baixa e olhos firmes no chão pisado
Carregando nos ombros já arcados
Arcados ma non troppo
A longa história de toda vida
Uma epopeia desconhecida
Sua sina até seria obra de arte grande
Como tantas outras grandes narrativas
Se não estivesse ele bem no meio
Do imenso vazio do agreste
Vazio ma non troppo
Vendo e vivendo agruras sertanejas
Esperando as chuvas sempre esperadas
Esperando o brotar das sementes
Esperanças sempre plantadas
Rezando a São José e a São João
Em roda das fogueiras que lançam faíscas
Debaixo do céu das muitas estrelas que brilham
Muito mais que na cidade grande
Com sua infinidade de luzes postiças
A embaçar o infinito céu estrelado.



quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Haicais de 4 (quatro) - ditos revisitados

Zildo Gallo


      1

Os cães ladram
As ratazanas passam
Lixos sobrantes.

      2

Chovem as chuvas
Chovendo no molhado
Lá vêm enchentes.

      3

O tempo cura
O que se pode dourar
Com as pílulas.

      4   

Todas as noites
Os gatos só são pardos
Nas ruas sem luz.

Cartaz do final dos anos 70 do século XX


LIBERDADE AINDA QUE TARDIA

Zildo Gallo


A liberdade é consumir
Aquilo que nos mandam comprar
A preços módicos
Em suaves prestações
Na sociedade parcelada
Pela divisão internacional
Do trabalho parcelado
Que escraviza o nosso tempo
Enquanto acreditamos alegres
Que dele desfrutamos
Nos corredores do Shopping Center.