terça-feira, 26 de abril de 2016

OS ARCANOS MAIORES DO TARÔ EM POEMAS: O LOUCO

Zildo Gallo

A partir de hoje, 26 de abril de 2016, um dia outonal nublado, eu comecei a postar poemas que retratam a minha visão sobre os arcanos maiores do Tarô. Desde 1990 eu venho estudando as mais diferentes versões do oráculo conhecido como Tarô, desde a mais antiga, Tarô de Marselha, até as mais contemporâneas, como o Tarô dos Orixás, por exemplo. Começo pela carta número 0 (zero), representada pela figura do louco, que no baralho de jogar (arcanos menores) equivale à figura do Curinga. Pretendo publicar um poema por semana e ao cabo de 22 semanas terei passado a minha visão sobre todos os arcanos maiores.



O LOUCO

Estou aqui
Ou ali
Ou acolá
Se me querem fico
Senão me vou
E fico
E vou
É bem assim que sou
Bem aqui aonde estou

Na minha trouxa carrego
Tudo de nada
Nada de tudo
Tudo de tudo carregar
A cabeça não me faz
Minha cabeça de vento
Leve ao vento
Leva o vento

Sempre pronto para dar
A minha mortal pirueta
E voltar
E ir
E voltar
E a minha própria sombra enganar

Não tenho rabo
Como meu cachorro tem o seu
Mas sempre atrás dele corro
Como ele atrás do seu
Suspeito que ele lá está
Sempre... sempre a me espreitar

Que me olhem
Que se espantem
Gargalho e sigo hoje
Como ontem
Em algum lugar posso parar
Mas gosto mesmo é de andar
Distraído... distraído...
Bambeando
Para lá e para cá
A beira do precipício
Sem medo do fundo vazio

Se caio
O corpo desce à terra
E o espírito alça voo
Rumo ao infinito e além
Nada ter
Nada a temer
O que perder?

Distinta plateia
Aplausos!
Aplausos!
Clap! Clap! Clap!
Senhoras e senhores
O espetáculo vai começar
E o palhaço o que é?
Ele é: é trelelé!
E chega de trololó!
Muitos me acham louco,
Outros muitos me têm como tolo,
Mas, na verdade,
Na verdade mais verdadeira,
Eu sou é um andarilho caminhado
À procura de um caminho.


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