terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Que tal mudar de rumo em 2016?

Zildo Gallo



Passadas as comemorações da passagem de ano, regadas em larguíssima escala com bebidas alcoólicas e, em alguns casos, com drogas dos mais variados tipos, não esquecendo também da memorável e nababesca orgia gastronômica, iniciamos o ano de 2016 DC. Como todo fim de ano, como já tem sido há muito tempo, muito tempo mesmo, tratou-se de um ritual de passagem marcado pelos prazeres mais imediatos dos nossos sentidos. Tudo bem, já passou... Não sejamos falsos moralistas, mas o restante do ano não precisa ser assim. Alguma concordância?
Para o bem do planeta Terra e de toda a humanidade, faz-se mais que necessária alguma moderação ou, melhor, muita moderação. Trata-se de uma austeridade inteligente, já que o mundo ao nosso redor nos chama o tempo todo para que nos entreguemos ao "império dos sentidos". A indústria da propaganda insta-nos a que consumamos e ela aponta a forma e a intensidade do consumir. Os chamamentos são muito tentadores, quase irresistíveis. É preciso perseverança.
Isto posto, é preciso muita atenção, pois o chamado do imediatismo prazeroso é muito forte e movimenta volumes estratosféricos de recursos econômicos e naturais do nosso planeta. Além disso, mergulhar no mundo do consumo exagerado, supérfluo e ostentatório apenas serve para nos manter na superfície, impedindo que ganhemos profundidade, que enxerguemos além do mundo material/sensorial que nos rodeia. Trata-se de uma prisão sem grades, onde vivenciamos uma sensação de liberdade, mas onde, de fato, não somos verdadeiramente livres.
Quanto mais temos condições econômicas para consumir, mais nos sentimos "livres", pois passamos, a partir da consolidação da moderna "sociedade de consumo", a enxergar a liberdade, esse bem imaterial necessário à evolução do espírito, como mera capacidade de consumir. Trata-se de uma grosseira redução, um apequenamento da condição humana, da condição para que nos tornemos verdadeiramente humanos.
A orgia consumista continuará a fazer os seus estragos ambientais, sociais e espirituais enquanto não percebermos o quanto estamos perdidos neste labirinto hedonista, onde o que conta é o prazer imediato de cada dia. A saída do labirinto começa pela tomada de consciência do engano vivido e, a partir daí, pela prática da austeridade inteligente. Consumir o necessário, o que é saudável, o que não prejudica a natureza, não desperdiçar e, principalmente, não se deixar enganar pela gigantesca máquina da propaganda a serviço do capital predatório, este é o caminho da austeridade.
Pode parecer moralismo, mas não é. A mãe Terra já está sentindo as dores do nosso desregramento e ela já está reagindo. O nosso planeta é um sistema vivo, trata-se de uma imensa rede de relações e precisamos enxergar o nosso papel dentro desta rede, desta imensa "teia da vida". Enquanto seres humanos, do ponto de vista biológico, estamos no topo da cadeia alimentar e, por enquanto, agimos como predadores. Precisamos dar um salto qualitativo (trata-se de um salto de caráter marcadamente espiritual), migrando da condição de bárbaros predadores para a condição de conscientes cuidadores.
Podemos começar com fazeres aparentemente bem simples: preparar o próprio alimento, diminuindo o consumo de alimentos muito processados; adquirir produtos da agricultura orgânica, criando uma demanda firme para sustentar a pequena agricultura; usar os recursos hídricos com parcimônia; quando comer fora, procurar restaurantes que trabalhem com alimentos saudáveis, principalmente os que utilizam produtos da agroecologia etc.
Em 21 de setembro de 2016 eu postei neste blog o artigo "Mandamentos para o cidadão politicamente correto no século XXI" onde elenquei 37 sugestões aleatórias no sentido de que possamos produzir um mundo melhor para as gerações futuras. Adiantando: não são nada fáceis e algumas implicam em grandes mudanças pessoais e coletivas. Sobre algumas eu acho que pode não haver consenso, mas, no meu ponto de vista, muitas delas são extremamente necessárias neste momento de crise planetária. A crise é geral: econômica, social, ambiental e de valores. Sugiro estes "mandamentos" (outros podem ser incluídos, à vontade de cada um) no sentido de que possamos pensar, a partir de cada um deles, sobre o que estamos fazendo ou não fazendo para melhorar as condições de vida da humanidade e de todos os demais seres que vivem no colo de Gaia, da nossa mãe Terra, que, neste momento, chora e reage às dores ante tanto sofrimento produzido por seu filho mais rebelde, o homem. Reproduzo aqui as sugestões do artigo como indicações de possíveis austeridades inteligentes para o ano que se inicia:
1) Consumir preferencialmente produtos orgânicos, pois eles são amigáveis ao meio ambiente e à saúde;
2) Não consumir e não estimular o consumo de alimentos transgênicos, pois eles fazem mal à saúde e ao meio ambiente;
3) Não consumir madeira não certificada, pois ela pode provir de desmatamentos ilegais, como aqueles que acontecem na Amazônia;
4) Não comprar roupas, calçados e outros produtos de empresas que utilizam mão de obra similar à escrava;
5) Não consumir desnecessariamente e não estimular o consumismo na sua família;
6) Ajudar na coleta seletiva de resíduos, separando os recicláveis dos orgânicos e destinando-os corretamente;
7) Não desperdiçar e não poluir a água no seu dia-a-dia;
8) Não fumar e não estimular o consumo de tabaco;
9) Beber com moderação, muita moderação, e não estimular o consumo de bebidas alcoólicas;
10) Não usar drogas ilícitas e desestimular o seu consumo;
11) Não ver e não ouvir, nas TVs e nas rádios, programas que estimulem violência, pessimismo, preconceitos raciais, culturais, de gênero etc.;
12) Não estimular o pessimismo, repassando sem pensar, sem questionar, ideias pessimistas veiculadas pela maioria dos meios de comunicação do mundo, pois a imprensa ainda acredita que o que vende jornais é a desgraça;
13) Contribuir para a inclusão social, estimulando ONGs e governos (federal, estadual e municipal) que trabalham neste sentido;
14) Diminuir o consumo de fast foods e desestimular o consumo na sua família, com o objetivo de melhorar a saúde das pessoas;
15) Frequentar restaurantes e lanchonetes que privilegiam produtos naturais (pouco processados pela indústria) e orgânicos, preferencialmente;
16) Consumir açúcar moderadamente e buscar a moderação do consumo familiar;
17) Consumir menos carne, muito menos, em particular a bovina, que exerce pressão sobre as florestas, estimulando o desmatamento e expandindo a fronteira agrícola, como acontece hoje na Amazônia;
18) Andar menos de veículos automotores particulares, dando preferência ao transporte coletivo e às bicicletas, diminuindo o congestionamento e a poluição do ar;
19) Na limpeza doméstica, procurar produtos biodegradáveis, que não poluem os corpos d'água;
20) Buscar uma espiritualidade desinteressada e desprovida de quaisquer preconceitos, em particular em relação às diferentes religiões;
21) Respeitar os que pensam diferente, mantendo um debate de alto nível e construtivo, não buscando desqualificar ou destruir os seus oponentes, como acontece hoje nas redes sociais;
22) Respeitar as crianças e os adolescentes, que precisam ser conduzidos por uma educação que estimule a criatividade e a liberdade e não por uma educação repressora do tipo "militar";
23) Defender o direito a todos à educação e à saúde e estimular instituições e governos que trabalhem neste sentido (educação e saúde são muito mais direitos que negócios);
24) Rejeitar toda forma de violência, desde a doméstica, passando pela policial, até a guerra, estimulando os movimentos pacifistas e os governos que atuam neste sentido;
25) Estimular e/ou praticar a boa arte, aquela que introduz valores (paz, beleza, igualdade, liberdade, fraternidade etc.) humanos e aquelas que denunciam as desumanidades;
26) Buscar o contato com a natureza e a prática de esportes saudáveis sempre e estimular isto na sua família;
27) Combater a violência em relação aos animais, como touradas, rodeios, brigas de galo etc.;
28) Festejar e celebrar mais e reunir mais os amigos;
29) Cultivar jardins e hortas nas suas residências, até em apartamentos (é possível), como exercício de contato com a natureza para os que moram nas cidades, principalmente;
30) Buscar fazer a sua própria comida, sempre que possível, evitando industrializados excessivamente processados, dando preferência aos produtos orgânicos;
31) Participar da vida comunitária para contribuir com a solução das questões coletivas, como educação, saúde, lazer, segurança etc.;
32) Preocupar-se com os seres humanos que moram de formas inadequadas (favelas, cortiços, na rua etc.) e apoiar instituições e governos que buscam soluções para esse problema (morar dignamente é um direito e não um privilégio);
33) Preocupar-se com as crianças e os idosos desamparados e apoiar instituições e governos que buscam ampará-los;
34) Compreender que as drogas são uma questão de saúde pública e não de polícia e apoiar instituições e governos que buscam enfrentar esse problema;
35) Defender o reflorestamento amplo do planeta, inclusive plantando árvores, pois ele abrandará a crise hídrica, ajudará a diminuir os efeitos do aquecimento global e possibilitará a sobrevivência das outras espécies animais que conosco dividem o planeta Terra (Plante árvores!);
36) Viajar mais para conhecer pessoas e povos diferentes, de diferentes culturas, para alargar seus horizontes pessoais e culturais (viajar não deve ser um privilégio);
37) Não ser preconceituoso e aceitar que a humanidade é multicultural e multirracial e que a beleza é caleidoscópica no seu sentido mais amplo.
Tentando finalizar: definitivamente, a beleza é caleidoscópica, pois ela se encontra em permanente movimento, em permanente transformação, como as pedrinhas brilhantes dentro de um caleidoscópio (nele as possibilidades são infinitas) que formam, a cada movimento, imagens novas, que nunca se repetem e que não podem ser previamente pensadas; não há como bater-se contra isso, como desejam os conservadores, não há como barrar o movimento do universo; refinando: o ser humano é caleidoscópico, pois se encontra em constante mutação e as suas possibilidades são infinitas, como as das pedrinhas coloridas no caleidoscópio.
A IDEIA É A SEGUINTE: AS MUDANÇAS SÃO NECESSÁRIAS; HÁ QUE SE COMEÇAR DE ALGUM LUGAR; INICIAR UMA RECONEXÃO COM A NATUREZA ATRAVÉS DE UMA HORTA DOMÉSTICA OU DE EXERCÍCIOS AO AR LIVRE, COMO ANDAR DE BICICLETA,  SÃO BONS COMEÇOS. É SÓ COMEÇAR... QUE TAL EM 2016?
FELIZ ANO NOVO!!!!!!!!!


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