terça-feira, 18 de novembro de 2014

O feminino, o meio ambiente e a espiritualidade: uma relação indissociável

Zildo Gallo


O nosso planeta vive hoje uma grande crise, que afeta não apenas a comunidade humana, mas toda a vida existente. O que dela desponta como elemento principal é que se trata de um fenômeno produzido única e exclusivamente pela própria humanidade, que está ligada a sua trajetória, principalmente a partir do advento da civilização, nos primórdios do surgimento das cidades, depois do neolítico, a cerca de 6000 anos atrás.
Três aspectos destacam-se na crise contemporânea: 1) declínio do patriarcado, 2) declínio da era do combustível fóssil e, 3) insustentabilidade do paradigma da conquista. Trata-se de uma crise da civilização, onde a humanidade tem, como nunca teve em outros momentos da história, a oportunidade de rever-se a partir de toda a sua trajetória ou de mergulhar definitivamente numa barbárie de gigantesca dimensão.
Sobre o declínio do patriarcado. Ainda vivemos num mundo onde predomina o domínio masculino, apesar dos muitos avanços nos tempos recentes, em particular nos países do ocidente. Principalmente no oriente próximo, as mudanças ocorrem em câmera lenta ou, de fato, em muitos lugares, não ocorrem. Mas, até mesmo nos países orientais, as tensões apresentam-se à luz do dia, o que já é um bom sinal.
O patriarcado surge nos primórdios das cidades com o advento da propriedade privada, do casamento monogâmico e do trabalho escravo. Vale a pena consultar uma obra clássica sobre o tema: A origem da família, da propriedade privada e do estado, de Friedrich Engels (1884). Contudo, na Idade do Bronze, até cerca de 1200 a.C., ainda sobreviviam muitos aspectos das sociedades matriarcais. A partir daí a situação das mulheres vai sofrendo pioras significativas. No ocidente, por exemplo, muitos historiadores consideram que a Idade Média tenha sido um tempo essencialmente masculino, onde elas viviam destituídas de direitos e, inclusive, sofriam perseguições constantes, basta  que nos lembremos da Santa Inquisição.
Sobre o paradigma da conquista. Para podermos compreender a evolução deste paradigma, temos que voltar no tempo, aos primórdios da humanidade e, ali, observarmos a extrema fragilidade dos homens em relação às outras espécies, como os grandes felinos, por exemplo. Para sobreviver naquele ambiente hostil, os humanos precisaram arrojar-se, tornar-se fortes e agressivos. A batalha pela sobrevivência acontecia todos os dias. Os homens tornaram-se hábeis caçadores e desenvolveram armas úteis tanto para a caça como para a defesa. Tiveram que aprender a conviver com os fenômenos naturais agressivos e sobrepujá-los. Tornaram-se guerreiros em relação às outras espécies e em relação à sua própria espécie, defendendo o seu território. Mesmo após a introdução da agricultura e da pecuária eles continuaram na defensiva, guerreando; a guerra tornou-se a forma de ser da civilização que despontou depois do neolítico e, ainda hoje, permanece como um aspecto importante da atualidade.
Neste artigo vou tratar introdutoriamente da questão feminina e da necessidade de ruptura com o paradigma da conquista, pois entendo, inclusive, que a necessidade de mudança paradigmática passa com maior ênfase pela questão de gênero e que esta questão é, em última instância, espiritual, pois trata-se de uma mudança profunda na forma de ser dos indivíduos e da sociedade. Sobre a necessidade de superação da era do combustível fóssil, eu falarei em um outro momento, apesar de não considerá-la, de forma alguma, uma questão separada das outras duas, pois, de fato, não é.
Para facilitar a compreensão da minha exposição do tema, lanço mão da filosofia chinesa. Os chineses enxergam o universo como uma relação, uma relação de duas forças antípodas e, ao mesmo tempo, complementares. Basta observarmos a natureza, esta é a sabedoria chinesa: para que exista o frio tem que haver o quente, para o molhado há o seco, para o mole tem o duro, para o claro tem o escuro, para o triste tem o alegre, para o bom tem o ruim, etc. De forma bem simples, eles dividem tudo e todos os fenômenos em dois grandes blocos: YIN e YANG (veja o quadro abaixo).

UNIVERSO BIPOLAR
YIN
YANG
FEMININO
MASCULINO
CONTRÁTIL
EXPANSIVO
CONSERVACIONISTA
EXIGENTE
RECEPTIVO
AGRESSIVO
COOPERATIVO
COMPETITIVO
INTUITIVO
RACIONAL
SINTÉTICO
ANALÍTICO

Pelo quadro vemos que Yin diz respeito ao feminino e a todos os seus atributos e que, portanto, Yang diz respeito ao masculino e seus atributos. Na sua conturbada trajetória, com destaque para os tempos pretéritos, a humanidade lançou mão com mais vigor dos atributos masculinos e acabou obliterando os femininos, inclusive com a própria inferiorização da mulher, guardiã das energias Yin. A humanidade tornou-se majoritariamente Yang: agressiva, competitiva, racional, expansionista, etc.

Em última instância, a crise econômica e a crise ambiental, citando apenas as duas mais visíveis, decorrem deste desbalanceamento das duas energias primordiais, com a balança pendendo para o lado Yang, o que reforçou e ainda reforça o paradigma conquista. A sobrevivência da humanidade enquanto tal, depende da transição para um novo paradigma, o paradigma do cuidado. É preciso diminuir a competição e aumentar a cooperação, é preciso diminuir a agressão e aumentar a aceitação e assim por diante. E, o que é de muita importância, neste mundo conduzido pela ciência: é preciso dar vazão às outras formas de percepção da realidade, possibilitadas pela intuição, que é a contraparte feminina da racionalidade masculina. O começo da caminhada para o paradigma do cuidado é o resgate da dignidade feminina, uma tarefa ainda árdua para a humanidade, todavia imprescindível.

2 comentários:


  1. Antônio Augusto Zoppi16 de janeiro de 2015 04:15

    Ola Zildo.
    A vida é um projeto genético. Tem Autor e Executor da Obra.
    A Teoria da evolução nunca vai ser uma ciência, não encontraram o elo perdido, nem vão encontrar, pois ele não existe. Hoje os evolucionistas transformaram a teoria em religião. Os sinais dos tempos nos alerta: JESUS CRISTO ESTÁ VOLTANDO.

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  2. Neste mundo temos o mal e a morte, o bem e a vida. Por isso a nossa história é dialética. O caminho, a verdade e a vida podemos encontrar em Jesus Cristo. Ele ressuscitou e vive eternamente. O túmulo dele está vazio

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