quinta-feira, 19 de abril de 2018

MANIFESTO À RAPADURA


Zildo Gallo

http://pat.feldman.com.br/o-que-e-rapadura/

Dura lex sed lex!
A dulcíssima rapadura
Amolece ao seu doce sabor
A dureza intrínseca
Do seu jeito de sempre ser,
Contrariamente à dureza
Da rígida e insossa lei.
Mais rapaduras e menos leis!


sexta-feira, 13 de abril de 2018

SHIVA NATARAJA


Zildo Gallo

http://ommrudraksha.com/natraj-the-ultimate-form-of-lord-shiva

Oh! Lorde Shiva,
Não sapateia assim
Neste meu ignaro ego.
Cara, isso dói...


quinta-feira, 12 de abril de 2018

TIMÃO


Zildo Gallo

http://children-learningreading.info/kwrbinfo-boat-steering-wheel-png.htm

Timoneiro
Agarra firme o timão
O mar está bravio
Nem está pra peixe
Que dirá aos marinheiros
De cada primeira viagem
Segura com toda força
Mais adiante tudo passa
O mar é como a vida
O desespero leva ao fundo
Antes do fim da travessia
Antes daquele porto seguro
Onde se pode amarrar a corda
E deixar o barco firme e preso
Ao balanço do velho mar
No sobe desce das suas águas.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

SENTIDO DA VIDA (Maha Lilah)


Zildo Gallo


Não seria a vida um sonho esquizofrênico
De um jogador absoluto e onipresente,
Diante de um tabuleiro em vivas cores,
Onde as peças ensandecidas se devoram,
Numa cadeia alimentar inexorável,
Sem nenhuma brecha a possíveis fugas?
Como escapar desse círculo infernal?
Talvez seja melhor não predar o derredor,
Feito soldado em desespero.
Talvez seja melhor autodevorar-se,
Sem ouvir as vozes do medo,
Em silêncio profundo... profundo...
Talvez, assim, alguma luz se acenda.
Talvez, assim, alguma luz ascenda.

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Haicais de 4 (quatro) - haicais cartesianos


Zildo Gallo

1
Meu ego me diz
Penso logo existo
Assim insisto
 🔁
2
Ergo a minha voz
E: cogito ergo sum
Assim eu quero
 🔁
3
Meu livre pensar
Ergo meu ego livre
Assim cogito
 🔁
4
Olhar e pensar
Pensar, apenas pensar?
Assim eu sinto?

https://www.infoescola.com/filosofos/rene-descartes/


quarta-feira, 28 de março de 2018

RESENHA: Aimó, o caso da menina sem nome


Zildo Gallo


De repente, uma menina encontra-se sozinha num mundo desconhecido, onde não conhece ninguém e ninguém sabe quem ela é. Isso acontece com uma garota nascida na África e levada ao Brasil como escrava. Subitamente ela  acorda num lugar estranho onde moram os orixás e os espíritos dos mortos que esperam a hora de seu renascimento. Ela não lembra o próprio nome nem se lembra de sua família. Por isso ela ganha o nome Aimó, “a menina que ninguém sabe quem é”. Tudo o que ela quer é voltar ao seu mundo de origem, mas para que isso seja possível, ela partirá numa longa jornada pelos tempos mitológicos, guiada por Exu e Ifá, e, com isso, acompanhará de perto muitas aventuras vividas pelas divindades africanas. Dessa forma ela reunirá o conhecimento necessário para fazer uma escolha que lhe permitirá partir para uma nova reencarnação.
Este é o enredo de "Aimó: uma viagem pelo mundo dos orixás", de Reginaldo Prandi, onde o autor conduz o leitor a uma agradável introdução sobre a rica cultura dos orixás, repleta de mitos que mostram as virtudes e os vícios presentes nas divindades africanas, que espelham os vícios e virtudes de todos nós seres humanos.
Exu e Ifá, filhos de Olorum, senhor supremo do mundo dos orixás, são escalados pelo pai para guiar a menina para que ela escolha uma das aiabás (orixás femininos) que a aceite como mãe adotiva, condição necessária ao seu desejado retorno ao mundo dos "vivos". Assim, o belo livro "Aimó" conta  histórias ancestrais, muito antigas, trazidas da África pelos escravos e preservadas no Brasil pela nossa riquíssima tradição oral.
Trata-se de uma obra de fácil leitura e, eu diria, indispensável para aqueles que desejam iniciar-se na compreensão desse universo mágico das religiões originárias do continente africano. É uma obra importante para o momento histórico vivido pelo Brasil, em que grassam muitas formas de preconceitos em relação à cultura dos brasileiros afrodescendentes. O livro de Reginaldo Prandi vem para afirmar a importância de se criar no país uma união na diversidade, com respeito às diferenças; a imensa diversidade cultural é que torna a cultura nacional bela e rica.
           
PRANDI, Reginaldo. Aimó: uma viagem pelo mundo dos orixás. São Paulo: Seguinte, 2017.

REGINALDO PRANDI, paulista de Potirendaba, é professor de sociologia na USP e autor de mais de trinta livros de sociologia, mitologia, literatura infantil e outras obras de ficção. Recebeu da SBPC, do MinC e do CNPQ o prêmio Érico Vannucci Mendes por seu trabalho de preservação da memória cultural do Brasil.

terça-feira, 27 de março de 2018

IFÁ


Zildo Gallo

https://br.pinterest.com/pin/558657528749304274/?lp=true

Ifá jogou seus búzios
e as conchinhas me disseram:
seu destino é olhar o mundo
e registrar suas belezas
e também suas feiuras.
Entendi que meu destino
é rir as alegrias de todos
e de todos as tristezas chorar;
não aprendi como apartar-me
do mundo e escrevê-lo separado
do meu coração humano.
Assim, até acho que virei poeta.
Ifá jogou seus búzios
e o meu destino vai andando assim...
indo ao seu rumo destinado.