quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

MANIFESTO BREJEIRO

Zildo Gallo


O paturi passeia no brejo,
E o quero-quero também vive lá.
O sapo canta versos ao brejo
E o pequeno guaru nele nada.
A taboa é a flor do brejo
E o brejo é cheio de vidas e belezas.

Não enterrem (aterrem) o brejo
Na vossa humana ignorância.
Amaldiçoados sejam todos aqueles
Que entulham os brejos vivos
Com seus lixos e mentes!
Eles não sabem o que fazem?

Não me sinto um bom cristão
Neste poema indignado,
Mas espero ser
Plenamente perdoado.

http://www.boaenergia.com.br/bandeirante/municipios.php?m=46


quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

BICHO PAPÃO

Zildo Gallo

http://www.efecade.com.br/bicho-papao/

Ele tem um papo grande,
Muito grande...
Muito grande mesmo...
É para comer?
É para conversar?
O Bicho Papão é bom de papo
E é muito bom de boca.
Os adultos sempre querem
(que desejo mais idiota!)
Que ele assombre as criancinhas,
Mas ele só quer mesmo é atacar
As deliciosas guloseimas
E papear... e papear... e papear...
Crianças, só peço que me ouçam:
O Papão é só um bom camarada,
Só um bom amigo bem imaginado.
Os grandes é que ficam,
Sempre ficam cismando coisas.
Atrás daquela cara brava
Mora um bichinho muito carente,
Que adora papar muitos docinhos
E papear com toda gente.


terça-feira, 28 de novembro de 2017

VIVANDO A VIDA

Zildo Gallo

https://artebetopiccolo.blogspot.com.br/2012/07/tempo-de-viver-vida.html

Viva eu viva tudo
Viva o Chico Barrigudo
Viva eu viva tu
Viva o rabo do tatu

Vamos dando vivas
Ao sol à lua e às estrelas
Enquanto damos vivas
Vamos vivendo e vivando

Viva todo mundo
Muitos vivas a todos os tatus
Às pacas e às cutias também
A todos os vivos viventes

Sempre dá para vivar
Os que estão vivos
Vivando e vivendo
E a vida vai continuando
Vai continuando...
Vai continuando...

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

PARA A GRAÚNA DO HENFIL

Zildo Gallo

 
  

A Graúna ainda canta nos sertões
Anunciando chuvas de esperanças
Na terra das desesperanças cotidianas
Seu canto negro e belo sempre faz lembrar
Dos muitos que lutaram e já se foram
E dos muitos que ainda estão por aqui
E ainda lutam... ainda lutam...
Para que Norte e Sul sejam apenas
Referências geográficas neste mundo
De diferenças tão cardeais
A Graúna canta seu belo canto
Pelo grande mestre Henfil
Que lhe deu uma vida de papel
Com seu mágico bico de pena
Em forma de justiceira espada




sexta-feira, 17 de novembro de 2017

OS GIRASSÓIS DE VAN GOGH

Zildo Gallo

https://joaorocha10.wordpress.com/category/auto-retrato/

Na escuridão das suas noites mentais,
Em desespero incontido,
Vincent retratava e se retratava
Como um girassol girando
À cata dos sóis de cada dia.
E todos os dias o sol se punha...
O sol sempre se punha...
Restava-lhe aprisionar as flores,
Cada uma das flores solares,
Nas suas pinceladas ligeiras,
Como quem bate uma fotografia.
A imagem saia-lhe das lentes dos olhos,
Escorregava-lhe pela mão ligeira
E plasmava-se veloz nas telas.
Então, tudo acontecia assim,
Como quem bate uma foto
Tentando não perder a magia,
A magia de cada instante,
Dos instantes das possíveis luzes.

https://seuhistory.com/hoje-na-historia/van-gogh-envia-quadros-dos-girassois-para-o-seu-irmao

terça-feira, 14 de novembro de 2017

POEMA INCERTO

Zildo Gallo


Um dia
Só mais um dia
Um dia de cada vez
De certo mesmo
Só cada instante vivido
O sempiterno agora
O passado é pleno passado
Já foi plenamente passado
O futuro é o sempre possível
Ainda virará passado
Certeza nenhuma não há
A única certeza certa
A mais plena das certezas
É a plena incerteza
Todavia, há uma certeza intangível
É o vazio entre os pensamentos
Onde mora o infinito de cada um
E cada pensamento é um dado
Lançado num tabuleiro incerto


quinta-feira, 9 de novembro de 2017

REZA ÀS MÃES DAS ÁGUAS

Zildo Gallo

http://www.raizesespirituais.com.br/agosto-2015-chega-com-a-bencao-de-oxum-e-iemanja/

Oxum cuida dos teus rios
Que são os nossos rios também
Iemanjá cuida dos teus mares
Que são os nossos mares também
Oxum chora pelos teus rios
Iemanjá chora pelos teus mares
Teus filhos se esqueceram
Esqueceram-se dos teus rios
Esqueceram-se dos teus mares
Também desaprenderam chorar
Olhos secos distantes do coração
E pertos das ambições da mente
Cada vez mais mentirosa
Iansã traga a tua tempestade
Para que teus filhos acordem
Deste sonho muito ruim
Eparrei Iansã!
Eparrei Iansã!

http://tucasadexango.blogspot.com.br/2010/11/dia-04-de-dezembro-eparrei-oya-salve.html